Guia completo do container marítimo para importação e exportação

container marítimo
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Os transportes marítimos representam a maioria das exportações e importações de mercadorias no país. De acordo com o Legado Brasil — portal de notícias do governo —, esse modelo é responsável por levar mais de 90% dos produtos brasileiros ao exterior. Para aproveitar esse modal e adentrar no comércio internacional, é importante entender como funciona o container marítimo.

Para auxiliá-lo no assunto, trazemos este guia completo sobre os containers que serão utilizados tanto na exportação quanto na importação marítima. Aqui, explicamos o funcionamento desses itens, suas diferenças de altura, os tipos disponíveis, quando vale a pena alugar um, entre outros tópicos relevantes sobre os containers.

Além disso, também falamos como você pode identificar o tipo de transporte mais adequado para cada mercadoria, bem como o funcionamento do escaneamento de cargas da Receita Federal. Confira esta leitura!

Como funciona a utilização de container marítimo no comércio exterior?

Os containers, contentores ou contêineres são unidades de carregamento de metal, com formato de paralelepípedo, paredes laterais e teto e piso rígidos. Uma das paredes da extremidade deve estar equipada com portas, por onde entrarão ou sairão as mercadorias. O comitê técnico ISO TC 104, no ano de 1968, definiu que os containers devem ser dotados das seguintes características:

  • ser um dispositivo de transporte permanente cuja estrutura garante o uso contínuo, ou seja, repetidamente;
  • estar adequadamente equipado para simplificar a fixação, o manuseio e a manipulação de um transporte para o outro;
  • ter um design que possibilita um carregamento e descarregamento de produtos mais fácil.

Essas estruturas transportam diversas mercadorias de uma parte do mundo para a outra e podem ser reutilizadas por um grande número de vezes. Por essa razão, elas devem ter bastante resistência e garantir a proteção da carga.

Ele é o principal recipiente utilizado para enviar grandes quantidades ou volumes de mercadorias internacionalmente, pois também é comumente usado em outros modais de transporte, como o férreo e o terrestre.

Trata-se de um recipiente amplamente utilizado no comércio internacional pelo fato de permitir acumular quantidades consideráveis de mercadorias sem ter que movê-las de forma individual até chegar ao destino. Além disso, eles reduzem o tempo de translado e os custos de trânsito, consistindo em uma forma que simplifica a cadeia de suprimentos.

Diferenças de altura entre os containers

Existem containers de diferentes tamanhos e é importante que você os conheça para saber quantos serão necessários para carregar toda a sua carga. Dois desses containers são:

  • container baixo ou normal: seu padrão de altura é de 2,60 metros;
  • container alto: denominado High Cube — ou HC —, esse tipo tem um pé direito mais alto, com altura de até 2,90 metros.

Atualmente, os tamanhos mais utilizados são os de 20 e 40 pés. A diferença entre esses dois tipos reside no comprimento, pois o container de 20 pés conta com 5,9 metros, enquanto o de 40 pés chega a 12 metros.

Quanto às demais medidas, ambos têm 2,35 metros de altura e 2,60 metros de altura. Em relação ao peso, a capacidade máxima total dos dois tipos varia entre 28 e 30 toneladas. Faz-se relevante saber que esses tamanhos são padronizados de acordo com a norma ABNT NBR ISO 6364:2002.

Sobre as restrições de tráfego dos modais, a quantidade máxima de containers e a carga permitida, as modificações dependem do país em que ocorre a importação ou a exportação. Por isso, é necessário que você contrate uma empresa especializada no assunto, já que ela conhecerá as regras de exportação e importação dos países.

Quais são os tipos de container marítimo mais utilizados?

O container de uso geral é o mais comum de ser utilizado pelas empresas. Ele é conhecido como Dry Box (caixa seca, em português) e é ideal para transportar produtos secos, que estarão dentro de caixas, tambores, engradados, pallets ou sacos.

Entretanto, além do tipo seco normal, ainda há diferentes containers desenvolvidos especialmente para atender às necessidades das mais variadas categorias de produtos. Nos tópicos abaixo, listamos quais são esses tipos, as suas características técnicas e as mercadorias que cada um pode transportar.

Refrigerados ISO

Também encontrados como containers frigoríficos ou reefers, são recipientes de transporte com temperatura regulada. Esse tipo permite que o clima seja cuidadosamente controlado, podendo ser mantido em baixo nível para não comprometer a qualidade da mercadoria.

Geralmente, esses containers são usados para enviar substâncias ou alimentos perecíveis — como vegetais, leites, carnes, frutas e legumes — por longas distâncias.

Também existem os Insulated Hanging Cargos (IH), ou refrigerados com ganchos em português, que também possibilitam regular a temperatura e incluem ganchos para transportar carnes.

Ressalta-se que eles podem ser usados tanto para manter a carga fria quanto para preservá-la quente, e isso pode ser obtido por meio de painéis de isolamento térmico ou por um equipamento de refrigeração. Nesse último caso, eles são chamados de:

  • e-reefers ou elétrico: quando é equipado apenas com uma fonte de alimentação externa;
  • de-reefers: quando é equipado com unidade de refrigeração autônoma, podendo ser com um pequeno gerador a diesel, por exemplo.

É interessante saber que os reefers são bastante usados no transporte ferroviário, já que os caminhões não acompanham soquetes de energia elétrica que são disponibilizados em navios porta-contentores ou no cais.

Armazém frigorífico

Esses são containers refrigerados que, quando acoplados uns aos outros, formam armazéns frigoríficos. Na prática, são um conjunto de recipientes do mesmo tipo interligados que utilizam o mesmo sistema de controle de temperatura.

Isolamento térmico

Nesse tipo de container, há um controle de temperatura regulado, possibilitando que eles mantenham uma temperatura mais alta. O material de isolamento escolhido deve ser bastante durável e evitar que a exposição constante a altas temperaturas danifique a mercadoria.

Assim como o anterior, os containers de isolamento térmico também são usados para transportar bens perecíveis e sensíveis para longas distâncias.

Flat Rack

Os flat racks são como containers de armazenamento simples, mas eles também têm seus lados dobráveis. Seus lados podem ser dobrados para fazer um rack plano e facilitar o envio de uma ampla variedade de produtos.

Open Top

Open Top significa “topo aberto” e é um tipo de container com o teto removível. Ele funciona como uma capota conversível, podendo ser completamente retirado e deixar sua parte superior aberta. Sua finalidade é permitir que objetos possam ser colocados ou retirados mais facilmente.

Tanque

Essas unidades de armazenamento são usadas por grande parte da indústria e no transporte de materiais líquidos. Elas são constituídas de aço forte e materiais anticorrosivos para proteger os líquidos.

Meia altura

O container é feito, principalmente, de aço e, como seu próprio nome indica, tem metade da altura de um container comum. Geralmente, ele é usado para transportar pedras, tubos, carvão, correntes, ferramentas, ganchos, âncoras e outros produtos que necessitam de carregamento e descarregamento facilitado.

Portas duplas

O diferencial desse tipo de container consiste no fato de que ele tem duas portas na mesma extremidade. Isso cria um espaço mais amplo tanto para o carregamento quanto para o descarregamento de materiais, sendo que, geralmente, é usado para transportar aço e ferro.

Para outros usos

Apesar de a sua função principal ser transportar cargas, o container ainda pode ser reutilizado em obras e servir de material de construção para edificar:

  • banheiros;
  • escritórios;
  • showrooms — salas de exposições;
  • lanchonetes;
  • almoxarifados;
  • residências;
  • vestiários;
  • oficinas;
  • laboratórios;
  • lojas; entre outros.

Plataforma (PL)

O container plataforma funciona de forma similar ao Flat Rack, mas não tem lados dobráveis. Esse tipo, geralmente, é usado para carregar máquinas e cargas que não podem ser transportadas em containers comuns.

Túnel

O tipo túnel apresenta duas portas nas extremidades do container marítimo. Elas são bastante úteis para carregar e descarregar as mercadorias mais rapidamente.

Lateral aberto

Aqui, há portas em uma ou nas duas laterais dos containers, o que permite que eles tenham seus lados completamente abertos e oferece um espaço maior para a entrada e saída de mercadorias.

Bulk

Esse é um tipo de container graneleiro específico para o transporte de cargas em granel — materiais no seu estado puro, como cascalho, petróleo, grãos ou carvão. Ele ainda tem uma abertura no painel frontal, que tem a finalidade de fazer com que a carga seja removida pela ação da gravidade.

Automotivo

Também chamados de containers de carro, são recipientes projetados, construídos e regulamentados especialmente para transportar automóveis por longas distâncias. Eles incluem laterais dobráveis que ajudam um carro a se encaixar melhor dentro dos recipientes, sem que haja o risco de se mover ou danificar.

Intermediário de deslocamento em massa

São contentores feitos exclusivamente para fins de envio intermediário de produtos. Isso significa que eles são usados para transportar um grande volume de materiais para um local onde serão embalados e, somente depois, eles são enviados ao local final.

Ventilado

O container ventilado tem algumas aberturas gradeadas e é usado para as cargas que necessitam de ar. Isso não significa que ele somente é usado para cargas vivas, já que cacau, sementes, plantas, café e outros produtos do gênero também precisam estar em um ambiente onde o oxigênio seja renovado.

Intercambiável

Esses são containers que também podem ser encontrados como trocáveis, bem como compõem o padrão no transporte rodoviário ou ferroviário. Mesmo que ele seja inadequado para o transporte marítimo, é importante que você conheça suas características e seja capaz de diferenciá-lo dos demais, assim, você não fará a escolha errada de containers.

Sua estrutura é otimizada para minimizar o peso vazio e economizar o custo do transporte. Eles não têm encaixes nos cantos superiores, não são empilháveis e devem ser levantados pela estrutura inferior.

Para fins especiais

Por fim, essas unidades de containers são criadas para atender às necessidades específicas de determinadas cargas. Por exemplo, sua composição poderá depender de um material especial e ter uma estrutura diferenciada para aumentar a segurança.

A proteção é a maior prioridade desse tipo de container, por isso, normalmente, ele é usado para serviços de alto risco.

Como saber qual tamanho de container marítimo utilizar?

Além de saber escolher o tipo de container marítimo, é fundamental que você também saiba qual é o tamanho do recipiente capaz de satisfazer às necessidades do seu negócio. De forma geral, aplicam-se as seguintes regras na escolha:

  • containers de 40 pés: para mercadorias com mais de 30 metros cúbicos, mas que ainda pesam menos que 26 toneladas;
  • containers de 20 pés: para produtos que tenham entre 15 e 30 metros cúbicos.

Na hipótese de que suas mercadorias tenham menos de 15 metros cúbicos, você pode utilizar apenas parte de um container marítimo e buscar economizar no aluguel ao dividir o espaço com outra empresa, o que é usualmente é chamado de consolidação de carga.

Quais são as exigências da exportação e importação marítima?

A etapa que gera mais dúvidas no processo de importação ou exportação marítima em nosso país é o preenchimento das exigências mínimas para fazê-lo. Basicamente, você precisa conhecer os requisitos legais e a documentação necessária, temas que serão trabalhados nos tópicos seguintes.

Requisitos para esse tipo de importação e exportação

Você deve entender que a importação e a exportação não se baseiam no meio de transporte. As eventuais regras, os tributos, as licenças e as autorizações necessárias são definidos conforme o tipo e a qualidade de cada mercadoria a ser transportada.

Depois que a operação é aprovada pela Receita Federal, a carga pode ser transportada pelo modal que a empresa entender mais adequado, seja ele marítimo, seja ele terrestre, seja ele aéreo, seja ele ferroviário, entre outros.

A primeira exigência da Receita Federal do Brasil (RFB) para que você consiga exercer a atividade de comércio é abrir uma empresa. Mas ainda há diversas regras e barreiras de controle da RFB sobre as mercadorias. Algumas delas são:

  • obtenção do RADAR — que é a habilitação legal para importar e exportar mercadorias e serviços;
  • definição correta da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM);
  • definição do Incoterms mais adequado;
  • acesso à assinatura do exportador na fatura comercial;
  • pagamento dos tributos exigidos.

Para preencher esses requisitos e exercer a exportação ou importação, é relevante que você tenha conhecimento sobre:

Documentação necessária para exportação e importação

Há uma ampla lista de documentos que variam dependendo do tipo de produto a ser transportado. Alguns exemplos de documentos essenciais para importação são:

  • fatura comercial ou Commercial Invoice;
  • licença de importação (LI), se a legislação o exigir para o bem importado;
  • packing list (ou romaneio de cargas);
  • declaração de importação;
  • conhecimento de embarque; entre outros.

Quanto à exportação, exemplos de documentos necessários para a operação são:

  • certificado de origem (CO), fitossanitário de origem (CFO) ou consolidado (CFOC);
  • declaração de exportação (DU-E);
  • packing list;
  • Bill of Loading (BL); entre outros.

Quando vale a pena locar um container?

Os containers pertencem aos armadores — donos dos navios que efetuarão o transporte — , por isso que a obtenção do recipiente sempre se dá pela locação. Você pode contratar uma companhia marítima, que agenciará o espaço no navio e enviará o container para que ele seja ovado e apoiado na exportação da mercadoria.

Nos casos das importações, o container será desovado no porto de destino. Se ele tiver várias cargas consolidadas — diversas empresas que realizam a operação —, a companhia marítima realizará os documentos referentes às cargas específicas de cada cliente.

Se o container for locado por apenas um único cliente, ele decidirá se a desova será feita no porto, no entreposto aduaneiro ou no endereço do destino.

Caso ele escolha a última opção, a carga precisa estar desembaraçada pela Receita Federal. Além disso, o container marítimo será desovado por conta e risco do contratante, que devolverá o bem para a companhia marítima após o ato.

Por meio da companhia marítima, o armador poderá cobrar entre outros os seguintes valores do contratante:

  • taxa de aluguel do container;
  • Terminal Handling Charge (THC ou despesa de manuseio de terminal em português), quando o container ficar mais tempo que o estipulado no contrato de Bill of Loading (BL);
  • taxa de demurrage: multa diária e em dólares até que o container seja devolvido.

Como verificar a viabilidade de outras opções de transporte internacional?

Apesar de o transporte marítimo ser largamente utilizado no Brasil, isso não significa que ele sempre será o meio mais vantajoso para fazer a exportação ou a importação.

Dependendo do país para o qual serão enviados ou no qual serão recebidos os produtos, outro modal será o mais adequado. Isso ocorre, por exemplo, quando uma empresa brasileira comercializa com o Paraguai ou a Bolívia, já que esses são países sem costa marítima, podendo ser necessário que a mercadoria seja entregue por terra.

A viabilidade da operação e a escolha do modal mais adequado dependerão de alguns fatores, como as características da carga, o local de destino, os prazos, entre outros. Veja essas informações nos tópicos abaixo.

Qualidades de cada modal de transporte

Cada tipo de transporte tem suas próprias vantagens e desvantagens, assim, nem todos satisfarão suas necessidades. Entenda!

Marítimo

O frete marítimo é mais econômico que os demais, bem como é considerado mais seguro e confiável. São considerados transportes marítimos os usados nas hidrovias internas, de longo curso (entre portos internacionais) ou cabotagem (entre os portos do Brasil).

Ferroviário

Também é um meio de transporte mais econômico e que pode ser usado para enviar mercadorias a países vizinhos. Entretanto, é relevante saber que a malha ferroviária brasileira pode deixar a desejar, o que faz com que o modal seja pouco utilizado pelas empresas brasileiras. Normalmente, o modal é usado para o frete interno até os portos.

Aéreo

É mais utilizado para cargas pequenas e urgentes, já que o tempo de transporte é reduzido. Por outro lado, o valor de seu frete é mais alto, o que inviabiliza seu uso para cargas pesadas, maiores ou recorrentes.

O serviço é fretado por companhias associadas ou não à International Air Transport Association (IATA). Se ela for associada, há uma tarifa comum que é baseada no trajeto a ser percorrido.

Rodoviário

É a forma mais comum de transportar bens internamente no país, mas também pode ser utilizado como transporte internacional para países vizinhos. Suas desvantagens consistem no fato de que o tempo de viagem é elevado, e a segurança, reduzida. Além disso, as estradas brasileiras também não são conservadas, o que eleva bastante o custo do frete.

Características das mercadorias

Os fatores que impactam, de forma direta e proporcional, os custos do transporte são o tamanho e o peso da carga. A escolha pelo modal marítimo é recomendada se:

  • a carga for grande ou pesada;
  • o transporte for realizado diversas vezes;
  • as mercadorias a serem transportadas forem em médias ou grandes quantidades.

Se essas qualidades não estiverem presentes, você pode optar pelo transporte aéreo, por exemplo.

Destino da mercadoria

O transporte marítimo é recomendado para comercializações internacionais de longas distâncias. As rodovias e ferrovias geralmente são usadas nos fretes internos. Entretanto, se há acesso por terra para transporte rodoviário, como o Brasil e Mercosul, você pode colocar os valores na ponta do papel e verificar o preço final de cada frete.

Além disso, caso o destino esteja em uma distância excepcionalmente grande, é possível que o transporte aéreo seja mais econômico.

Necessidade de segurança

Na hipótese de que você esteja transportando cargas valiosas, é interessante evitar o uso dos meios terrestres — ferroviário e rodoviário — já que, neles, há maiores chances de ocorrerem acidentes e furtos. Nesse caso, recomendamos o uso dos modais aéreos e marítimos, pois são considerados os mais seguros.

Prazo de entrega

Se o prazo de entrega for urgente — a carga está atrasada, por exemplo —, será necessário que você utilize o avião, já que os demais podem levar mais tempo.

Como funciona o escaneamento de cargas da Receita Federal?

Para manter um controle sobre as operações e verificar riscos, a Receita Federal sempre escaneia as cargas que são importadas no Brasil.

Os custos do escaneamento são repassados aos exportadores/importadores, entretanto, há muitos debates sobre o tema pelo fato de que não há previsão legal para o ato. Os valores e a forma de cobrança mudam de acordo com cada porto, o que torna importante que você consulte especialistas no ramo para saber mais sobre o tema.

Apesar de o transporte marítimo ser bastante vantajoso, é fundamental que você conte com o apoio de um parceiro que saiba como fazer importação e exportação corretamente. Isso porque você precisará escolher o container marítimo adequado para atender às suas necessidades, entender sobre a legislação, conhecer as regras de escaneamento de cargas e mais.

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